Casa 13 Luas

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horta 13 Luas
Gabi, ula, Eu (Carol), Nady e Iza

Quando cheguei na Ilha Bela o Cadu me disse: Carol, você tem que conhecer a Nadya da Horta 13 Luas. Como nós adoramos cozinhar, assim que cheguei já fomos à horta para pegar umas hortaliças e verduras, e principalmente, conhecer a Nadya. A campainha é o grito de ‘’Ahoo’’ na porta, olhando para cima vejo um doente confortavelmente deitado no muro, curtindo a paisagem e a bandeira da Paz hasteada. Tudo convergia para ser uma experiência incrível a nossa feira.

Depois de esperar alguns minutos a Nadya abre porta, vejo uma mulher forte, com o cabelo rastafári e olhar profundo. Quando entramos o Cadu já começou a contar tudo o que acontece na casa além da horta: oficinas de artes variadas (papel machê, costura, mosaico, artesanato, bioconstrução, suco verde…), além de ter na essência a capoeira, com música, gingado e roda.

Essa experiência foi em novembro, sabia que ali seria o lugar para começar a volta ao mundo.

Casa, comida, cultura, arte e paz

No carnaval de 2013, a Nadya tomou decisão de abrir a casa para o turismo, receber hóspedes para acampar no jardim e alugar os quartos. Esse era um desejo antigo, desde 23 de dezembro 1989, quando mudou para a casa na Rua Benedito Serafim, 320, no Perequê e montou sua horta.

A proposta de alugar a casa pode parecer comercial inicialmente, mas basta passar o portão para lembrar uma casa de mãe ou de algum lugar perdido no tempo, onde sempre tem café, sucos naturais, e uma cadeira para sentar e conversar.

A arquitetura simples, bem feita e com detalhes místicos em cada parede dá graça ao lugar, em cada cadeira a mente viaja, te trazendo uma nova percepção. No fundo da casa tem a sala de estar, feita de barro para jogar capoeira, com uma namoradeira e uma lareira para o inverno. A sala do círculo, onde as pessoas têm conversas infinitas, contam experiências marcantes e trocam saberes.

Durante uma conversa, um relato de algum problema de saúde, logo vem uma dica para alimentação, um chá de uma erva curativa e se abre o livro sobre alimentação Ayurveda para pesquisa.

Ao longo do útimo ano a casa foi sendo sonhada, reformada e ampliada. A ideia é compartilhar o que tem de melhor, a prosperidade, o conhecimento, a vida. Para no futuro vender a casa, deixar a herança para os 5 filhos em vida e viajar pelo mundo. Essa história é cantada todos os dias nas rodas de capoeira, não deixando que a beleza das coisas e a construção da casa, aprisionem a liberdade que é escolher o destino.

A sensação de quando a casa ficar pronta ser perfeita se mescla com o sentimento de que a casa não vai existir no mesmo endereço, a Casa 13 Luas vai ficar no coração de quem aproveita ela no presente. Sai da casa levando consigo a mensagem de paz e uma experiência única de quem participou de um projeto de vida, onde ser acolhido e se sentir em casa é a essência da hospedagem.

Da horta ao Prato

Horta

A cultura de paz e de hospedagem se faz na mesa, nutrindo todos que chegam e ficam na casa. O suco verde pela manhã, o almoço que tem pra todos que chegam, o jantar e as frutas que sempre são ofertado pela Nadya, Lula ou algum hóspede.

O alimento cultivado com amor na horta está sempre fresco. O desenho dos canteiros é um misto de um labirinto com a forma de um caracol, no centro cresceu uma árvore de acerola rodeada de todos os tipos de hortaliças, temperos, chás, sementes e plantas medicinais. A mistura toda faz bem para a horta, não encontrei nesses dias nenhuma larva, nem formiga, cheguei a conclusão de que rola um respeito dos animais com a horta (risos).

Na cozinha o aprendizado é intenso. O café é a receita do acolhimento, nunca a garrafa está vazia. O suco verde nutre e alimenta a todos, todo dia é feito com plantas diferentes mas basicamente contém uma erva antidepressivas, anti-inflamatórias, entre outras plantas e frutas que estão na estação e se convidam a participar do suco. Um suco nunca é igual ao outro, as vezes com limão, água de coco, maçã ou laranja.

suco verde

O almoço funciona de acordo com a proposta e fome de quem está na casa. A alimentação da casa é vegetariana, com muita fartura e temperos inovadores. Não usa muito óleo, nem alho e cebola. O sabor é surpreendente e ainda não consigo identificar todos os ingredientes e temperos se não estou presente no preparo.

Existe um cuidado individual com cada um que chega, tenta-se agradar a todos e cada um, deixar comida para quem não está presente ou ainda não acordou. A cozinha funciona de acordo com a disposição de cada um e não para nunca… conversas, comidas e oferendas.

Nadya e Carlinhos
Nadya e Carlinhos

Moradores: Nadya, Lula e Tzolsqui

A Nadya é a engrenagem da casa. Desde receber os hóspedes, cuidar da horta, manter a casa em ordem, trabalhar nas construções e na criar a decoração da casa. Cuida de todos que chegam, um chá para quem está doente, um suco verde de manhã, babosa para machucados e ainda faz a leitura de quem quer saber o Kin (signo) de acordo com o Sincronário da Paz. Nos dias em que estava lá, ela era a última a se deitar e não raro a primeira a estar de pé trabalhando. Ao vê-a trabalhando é notável a sua energia, sente gratidão da casa está cheia. No entanto, não se deixa levar pela ambição, assim que percebe que tem muita gente, tira a placa de camping da porta para não aparecer mais hóspedes, mesmo havendo muito espaço no jardim. O conforto de quem está lá é mais importante. Se aparece alguém sem casa é capaz de ceder o próprio quarto (aconteceu quando eu estava lá) para ajudar.

Demorei para conhecer o Lula, da primeira vez que tinha ido na casa ele estava dormindo. Tivemos um problema de fuso, eu durmo cedo e acordo cedo. Ele é o contrário, dorme tarde e acorda tarde. Esse é o jeito dele e a casa é diferente quando ele está. Quando cheguei estava com o plano de dormir no barco, como o bote estava guardado, precisava dormir lá. O Lula de cara me ofereceu a sua barraca nova, nunca tinha usado, para mim que tinha acabado de conhecer e que não iria pagar nem pela hospedagem. Acabei saindo para resolver com o Cadu umas coisas do barco, estava bem cansada quando voltei e ele me ofereceu uma massagem nos pés (terapêutica e relaxante), ficamos conversando sobre a vida, comunidades alternativas e aos poucos fui entendendo melhor ele. Só não conversamos mais, porque meu fuso horário me obrigava a dormir. Toda a receptividade comigo se repetia com todos os que chegavam, depois que fui pro barco emprestou a barraca para outra pessoa que precisava. Fez massagens em várias pessoas, me ensinou vários batuques para tocar os instrumentos durante a roda (mas ainda não foi o suficiente para mim… continuo inimiga do ritmo! rs) e sempre compartilhava sua pizza noturna e Coca-Cola com os hóspedes e amigos que apareciam! Muito mais do que ‘horrorizar o sistema’, ele tem crenças verdadeiras e vive de acordo com seus princípios. Com os pés no chão ele constrói a vida que acredita. Através da bioconstrução, utiliza diversas técnicas para levantar paredes, enfeitar as paredes com barro, esquecer com lareiras, alimentar com os fornos e acolher nas namoradeiras.

O Tzolsqui é um amor de cachorro, está sempre onde tem gente e fazendo compania para os moradores, a não ser que esteja muito quente e a melhor opção passa a ser os lugares mais frescos da casa, ele sofre com o calor da Ilha.

Além deles tem os visitantes frequentes que não poderiam ficar de fora:

Carlinhos: o guia das melhores cachoeiras da Ilha Bela

Iza: a filha da Nadya que sempre passa por lá e é uma ótima compania.

Aprendi muito durante a minha estadia na casa, tive várias ideias para minha futura Casa dos Sonhos. Se passar por Ilha Bela, não perca a oportunidade de tomar um cafezinho e conferir o suco verde da Nadya.

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Um comentário em “Casa 13 Luas

    Diego Rocha disse:
    5 de janeiro de 2015 às 2:21

    Acabei de chegar na minha casa e já sinto saudades dessa família( Nadya, lula e tzo). Esse lugar é maravilhoso e muito espiritual todos q passão nessa pousada senti a vibração do lugar que é de paz!

    Curtir

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