Dois anos sem saber o que fazer, dois anos fazendo tudo o que queria

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Hoje é aniversário da minha loucura. Já estou andando e falando sobre não saber o futuro. Dois anos é o momento que se começa a pensar. Como posso pensar não saber o que farei amanhã, ou na semana que vem. São mais de 700 dias assim. Sem saber.

É bom não saber. Evita a preguiça. Eu já sei que vou morrer (todos sabemos) até lá posso fazer o que quiser. Mas não saber o que farei amanhã, torna meu dia mais interessante. E levantar se torna uma tarefa fácil, mesmo a cama sendo um dos meus lugares preferidos no mundo.

Essa bagunça toda talvez seja por causa dos Novos Baianos e do Mistério do Planeta. Estou ainda tentando descobrir, mas já aprendi muitas coisas, mesmo sem saber o que fazer, fiz coisas incríveis nesse tempo. Muitas delas, nunca pensei ter coragem. Pensava que iria magoar muita gente. Que outros poderiam deixar de gostar de mim. Nada disso aconteceu. O amor não é racional, por sorte!

Mistério do Planeta

Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do “stop”
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do Brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola

O mundo não faz sentido. Eu dou sentido a vida, vivendo o que quero e depois de dois anos sem saber o que fazer, faço coisas que gosto. Descobri que assim como o amor, a vida não é racional. Por sorte!

Esse tempo pode ser pra sempre e pode acabar amanhã. Posso criar uma rotina, obedecer a ela rigorosamente e passar a planejar meus dias, ter metas viajando e criar contas a pagar. Estou a um passo dos dois extremos. Independente disso, tenho o dia de hoje. Por hoje, vou na cachoeira e amanhã, vou levantar de novo sem saber o que fazer. Mas isso não importa.

E valeu a pena, quer saber porque? Passei a fazer o que eu queria. Queria coisas simples, mas precisava fazer o que falava ou pensava. Esse foi o passo mais importante na minha vida. Então, seguem aqui as coisas que eram meus sonhos, minhas vontades e que demorei 24 anos para colocá-las em pratica:

  1. Fiz o curso de fotografia que há anos dizia que queria fazer – e foi incrível!
  2. Fiquei um mês morando de couchsurfing em Buenos Aires e fiz amizades lindas.
  3. Morei em um casa coletiva.
  4. Morei na praia.
  5. Passei a fazer yoga e meditar quase todos os dias.
  6. Vivi e viajei sem dinheiro. Mudei minha relação com ele e percebi que é só um detalhe dos meus sonhos, nunca um obstáculo intransponível.
  7. Peguei carona com caminhoneiros, carros, motos, barcos, navios, bicicletas e caminhei em lugares que quis.
  8. Conheci todas as regiões do Brasil (ainda falta alguns estados), mas conheço meu país melhor e minha gente. Me conheço melhor por cada pessoa que conversei.
  9. Fiz inúmeras práticas espirituais e encontrei meu caminho no Budismo.
  10. Conheci e viajei por 9 países na América do Sul.
  11. Cruzei o deserto do Atacama.
  12. Dormi vendo a estrelas no meio da natureza.
  13. Fiquei uma semana em um veleiro.
  14. Fiz e nutri muita amizades
  15. Cortei meu cabelo, raspei a metade e depois ele todo. Descobri que fazer isso não muda nada, mas querer fazer e não fazer, matem muita coisa.
  16. Subi o Monte Roraima e escalei nos Andes.
  17. Amei algumas pessoas, fiz celibato e tive muitas dúvidas sobre me relacionar ou não.
  18. Desapeguei das coisas mais caras financeiramente que tinha. E cuidei das pessoas mais queridas que tenhas.
  19. Fiz minha primeira intervenção sobre sonhos nas rua de Buenos Aires e desde então carrego meu caderno mais bonito, cheio de sonhos na minha mochila.
  20. Por último, vale lembrar que fiquei doente, peguei viroses e dei trabalho pros amigos, família e desconhecidos. Não morri fazendo todas as coisas que amo. É possível viver e sobreviver.

Essa lista, eu fiz pra mim, para me lembrar do que fiz sem pensar no que os outros vão pensar. Nesse caminho eu me conheci. Em nenhum dos dias que não sabia o que iria fazer, pensei no que estava fazendo. Eu simplesmente fiz.

Foi aí que descobri que o amor é incondicional (e não é racional!), não adianta eu fazer um milhão de coisas que meus pais não gostam, não importa. Eles só querem que eu seja feliz. Isso me faz amá-los ainda mais. O que não me livra das piadinhas infames!!!!

Deixo aqui meu amor incondicional aos meus amigos Cadu, Gui Augusto, Gui Carvalho e Clarissa. Do dia que sai de casa até hoje, vocês nunca deixaram de me acompanhar em cada passo que dei e tornaram o mundo um lugar melhor para mim. Diante da infinidade do espaço e do tempo, sou uma pessoa feliz por tê-los no meu caminho.

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