Economia colaborativa depende de amor e confiança

Postado em Atualizado em

Em 2008 eu comecei a ouvir falar da economia colaborativa. Em São Paulo estava rolando muita coisa, já existia o The Hub (espaço de coworking), o Vakinha tinha surgido (crowdfunding),o Hub Escola (crowdlearning), microcrédito, compras coletivas,e gente querendo fazer ecovilas, negócios sociais… pessoas procurando soluções e vez de problemas. Os amigos de SP viviam inventando coisas e foi por isso que me mudei pra lá em 2010, acho que essa é a característica mais forte de SP, inventar e reinventar a roda,

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As minhas primeiras impressões dessa economia estava vinculada a internet e a escala dos negócios. Claro, em pouco tempo tudo mudou. O trabalho em projetos sociais e, especificamente, na periferia esbanjou pra mim a tal da economia colaborativa.

Bingo, feijoada, rifa, feiras de trocas, carona, vaquinhas, casa coletivas, festas tradicionais…. tudo isso acontecia na para as pessoas se ajudarem. A diferença, é que na periferia era tão comum que não saiu na capa do jornal!

Depois viajando pelo Brasil pude percerber a importância dos vizinhos, a ajuda dos amigos, como faz diferença ter um quintal pra plantar horta, trocar ferramentas, pegar emprestado. A vida fica muito mais fácil quando tinha uma comunidade a minha volta.

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O meu processo individual começou quando decidi que não queria só dividir contas na república que morava, queria construir um lar coletivo. Um processo que na prática foi difícil, mas a minha primeira experiência de morar com pessoas significativas foi importantíssima. Agradeço mutio a Mai e a Yana, elas me ensinaram muito sobre viver em comunidade.

De lá pra cá já vivi muitas experiências, nenhuma delas se compara ao presente que recebi na última semana. Enfim, histórias que quem viveu uma economia colaborativa e tem memórias.

Fizemos uma atividade sobre economia colaborativa, o que acontece ou aconteceu no Cumbe. Escolhi algumas questões para exemplificar, sem contudo falar sobre todo o encontro que não caberia no post.

Foto: Casa Maré das Artes
Foto: Casa Maré das Artes

Enterro coletivo. Não existe coveiro, a própria população cuida do enterro, velório e faz todo o ritual. Mutirões de limpeza, por ser uma região de enchentes, toda a limpeza das ”levadas” era feita em mutirão dos moradores. Construição casa de taipa. As casas antigas eram construídas coletivamente pelas pessoas da comunidade. Cuidados com as crianças e os idosos. As pessoas participavam desse cuidado. Distribuição de peixe nos dias santos. Quem ajuda a pescar ganha\ganhava uma parte da pescaria. Festas santas eram feitas juntas e muitos outros aspectos.

Vieram tanto fatos juntos que faltou tempo para examiná os benefícios sociais e econômicos de todos. Pudemos perceber que a comunidade vive uma lacuna entre um processo cooperativo familiar entre as 150 famílias e a divisão comunitária que o desenvolvimento das fazendas de camarão e a energia eólica promoveu. Um exemplo é: a comunidade deixou de cuidar das crianças em conjunto, mas ainda não tem creche.

A Associação dos Moradores do Cumbe está trabalhando a identidade local o João é um grande contador dessas histórias coletivas. Ali, as crianças e os adultos ainda vivem os benefícios de uma economia colaborativa, ao mesmo tempo que vivem as consequências do ”progresso” que aumenta os custos de vida, polui o rio, seca lagoas e privatiza a circulação de pessoas. Nem todos os moradores podem ir a praia, só os nativos e os donos das terras.

Eu aprendi tanto naquele encontro sobre economia colaborativa e comunitária. No final, propus pensar em como manter algumas ações ou criar novas para fortalecer essa relação comunitária. A experiêmcia vivenciando uma semana na Casa Maré das Artes me mostrou essa vida de trocas funciona pra quem não viaja. Os vizinhos convidam pra jantar, tem trocas de mudas para horta, as crianças ajudando a cuidar ao mesmo tempo, as crianças são cuidadas!

Claramente a lacuna está presente! E por mais que a Associação e a Casa façam a parte deles, uma economia se constói com outros atores. Falta o governo e as intituições privadas definirem o que vão fazer. Uma região rica não combina com uma comunidade pobre.

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Faz 3 anos que economia colaborativa orienta a minha vida. As trocas acontecem todos os dias, pela internet, telefone, ao vivo, nos projeto em que trabalho, nas visitas aos amigos. O grande aprendizado dessas viagens foi descobrir que não precisa de internet nem de projetos grandes com escala para a economia colaborativa dar certo.

É mais fácil pedir pros amigos do que captar via crodwfunding , e muitas vezes é mais eficiente. As plataformas algumas vezes se tornam mais um intermediário. Quando limitamos a economia colaborativa a esses grandes projetos, estamos burocratizando a ajuda ao próximo e deixando de pedir pro vizinho a furadeira, por vergonha, pois isso está associado a perder valor na sociedade. A recompensa do amigo é muito mais óbvia do que as ”recompensas” dos sites.

Pra viver essa economia, eu decobri que tenho mais a oferecer do que preciso. Preciso de muito pouco, cada vez mais de menos. Então, ofereço trocas em qualquer lugar que vou, penso em como ser útil e ajudar o outro. Resolvo meus problemas através de desconhecidos e amigos,muitas vezes as trocas são imateriais. No final, isso não importa, porque a relação de amizade está mais forte.

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A economia colaborativa sempre funcionou e funcionará em sistemas comunitários, onde existe amor e confiança. Pode ser numa relação estantânea na estrada pedindo carona ou assinando um contrato na frente de um advogado. Só pode ser bom pra mim, se é bom pro outro e vice-versa, A lacuna existe, está entre a vantagem do mais forte e a desvantagem do mais fraco. Precisamos confiar para seguir adiante.

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Esse post é parte do financiamente coletivo das viagens. Essa semana a amiga Nicky me convidou para ficar na sua casa em Cumbuco em troca de sorrisos e amor. Uma troca imaterial que só as amizades proporcionam. 🙂 

As imagens foram encontradas na internet.

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3 comentários em “Economia colaborativa depende de amor e confiança

    carolbernardes respondido:
    11 de novembro de 2015 às 11:19

    Oi Karina! Desculpa a demora para responder. Tem um site que talvez você curta e divulgue aí, chama Tem Açucar? http://www.temacucar.com/ Faz referência a pedir açucar pro vizinho, hábito que fomos perdendo… outro projeto que conheço é um jogo que chama Play The Call, que tem missões pras crianças realizarem na vida real onde vivem. https://www.facebook.com/thebaseplaythecall/ Beijos e depois me conta o que andam fazendo. 🙂

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    Karina Palmieri disse:
    4 de outubro de 2015 às 15:01

    Bom dia Carol! Como eu disse antes, quero promover a economia colaborativa com meus vizinhos, sera que vc teria algum texto ou arquivo simples para eu compartilhar com eles. Desde ja agradeço. Bjs Em 25/09/2015 17:21, “Karina Palmieri” escreveu:

    > Adorei esse post! Vou começar a fazer economia colaborativa na minha casa > com as crianças e depois expandir para os vizinhos . > Em 22/09/2015 14:32, “Volta ao Mundo da Carol” <

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    Karina Palmieri disse:
    25 de setembro de 2015 às 20:21

    Adorei esse post! Vou começar a fazer economia colaborativa na minha casa com as crianças e depois expandir para os vizinhos .

    Curtido por 1 pessoa

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