Tunísia: famílias, recepções e caronas

Postado em Atualizado em

Sábado, 30 de janeiro, eu desembarquei em Tunes. Vim no ferryboat de Palermo na Sicília até aqui, 12 horas em um navio, bem confortável e cercada por todos os lados de árabes muçulmanos. Pessoas muitos gentis, do embarque até agora, impossível não me sentir em casa.

A Tunísia é o primeiro país árabe que eu estou conhecendo. O meu plano aqui é ficar 3 meses, fazendo pequenas viagens e aproveitar que tenho o Elyes de anfitrião e mecenas, para trabalhar no livro.

O Elyes é um querido amigo. Nós nos conhecemos em 2008 e mantivemos contato esporádico por todos esses anos. Quando eu estava viajando pela America do Sul, ele tinha começado a viajar na Asia, tentamos nos encontrar na Colômbia em 2014, mas só em 2015 o reencontro aconteceu. Aí, ele passou uns dias comigo e o Palmas, na casa dele, em São Paulo.

1929913_500983750063813_3841909547674616123_n
Elyes (Gahaf) e a pequena Soussen en Hajeb Laayoun

Mais do que antigos amigos com histórias em comum, o Elyes se tornou um amigo próximo pelas escolhas. Ele tem um personagem que chama Gahaf Tounsi, que viaja o mundo, o ideal de pessoa. Também vive sem utilizar muito dinheiro, recebendo doações pelo seus trabalho (que são ótimo!), esse é o projeto No Price. Ele tem muitas outras ideias incríveis que compartilhamos e conversamos sobre nesses dias. Recentemente traduzi um texto seu, contando sobre uma viagem dele de bike pela Tunísia, gastando menos de 20 reais em 35 dias, pedalando mais de 1000km. Texto original.

Eu vim pra cá com o Palmas, o amigo-namorado-companheiro, pessoa da qual nunca falo em rede sociais, mas que tem mais de um ano estamos fazendo muitas viagens juntos, compartilhando vida, princípios e sonhos. Ele veio me ver por 20 dias (10 na Itália e 10 na Tunísia). Faço essa introdução, porque já está feita no facebook pelo Elyes, que nos recebeu juntos e de braços abertos. O que mais está rolando desde que chegamos na Tunísia, é foto nossa no facebook. Então, não adianta não falar.

Recepção Tunisiana

A família dele nos acolheu, O Abdou, a Nejet, a Amira, e claro o Elyes, além de todos os amigos, primos, tias e tios. =) Os últimos 18 dias, passaram como um furacão aqui, muito intenso, rápido e mexendo com todos os sentimentos. Desde a chegada em Tunes, com a recepção do Elyes e o Abdou esperando a gente no porto, quase meia-noite (últimos dias do toque de recolher aqui, que começava a meia-noite), depois a gente ir pra casa dele, sermos cuidados com em nossas casas (talvez até mais mimados!). Toca no coração! De fato, o que aconteceu aqui foi o seguinte: me adotaram. Eles se preocupam comigo como se eu fosse da família. Me ligam pra saber se estou bem, mandam mensagem para ver se cheguei na próxima cidade (isso aconteceu enquanto o Palmas estava aqui, e continua agora que ele foi embora). ❤

foto Elyes
Foto do Elyes – Eu e o Palmas em Sid Bud Said
 Como o Elyes sabia que eu e o Palmas amamos bicicleta, ele pegou duas bikes ótimas, ótimas mesmo! E durante vários dias ele fez um relato da nossa experiência no estilo Gahaf de ser. Consumindo pouco, ficando em casas tradicionais, usando a bike como transporte… ou seja, um estilo de vida bem parecido com o meu. Tudo ficou fácil! E uma delícia… uma aviso para quem vier pra Tunísia traga roupas largas, vai precisar de espaço para pernas maiores, barriguinha, braços… Os passeios aqui foram todos muito legais e as pessoas super receptivas.
Depois de passarmos 4 dias em Tunes e pedalarmos uns 100 kms nesses dias pudemos ter um olhar geral de Tunis, Carthage, Sidi Bud Said e Ariana, fomos para Chebba. Lá uma recepção ainda mais familiar! Conhecemos grande parte das irmãs e irmãos do Abdou, primas, primos do Elyes e o jardim que ele está fazendo. Um futuro paraíso com base na permacultura.

Cada dia que passei aqui conheci novas pessoas, a maioria muçulmana. Aos poucos vou conhecendo melhor a cultura, sendo hospedada na casa das pessoas. Tive muitas surpresas aqui, principalmente em relação as mulheres. Me sinto tão próxima delas, com sonhos tão parecidos.
Caronas
DSCN5193.JPG
Minha 1a carona – Basma, seus pais e a galinha que me deram de presente!
Depois de muitas viagens acompanhada, desde que cheguei, ou estava com o Palmas, ou com o Elyes, ou com os dois e mais alguém. Agora comecei a viajar sozinha. Peguei Louague um dia, fui até Hajeb Laayoun, no caminho fiz várias amizades.  Passei uns dias lá trabalhando em uma fazenda de permacultura e de lá vim pegando carona até Sousse.
Acabei de eleger a Tunísia como o melhor país para pegar carona. Foram 2 minutos no primeiro posto de gasolina. E o primeiro carro que passou no pedágio me deu carona e fez questão de me deixar quando a Hiba, minha atual host chegou.
Paradeiro (palavra mineira)
E agora, mais uma casa onde sou bem-vinda. Me convidaram até pra ficar aqui escrevendo. A Hiba é bem parecida comido, minha versão Tunisiana. O pai dela disse que podíamos ser irmãs. =)
Em breve vou fazer uma entrevista com ela. Ela viajou de carona pela Tunísia, Europa e está querendo viajar pela Asia em breve. Se tiver alguma curiosidade, perguntem aí, que ela vai responder!
Estou amando a temporada aqui. Me sentindo no lugar certo, na hora certa e com as pessoas certas. Tão gostoso tudo isso! Da muita gratidão!
Beijos,
Carol ou Farah (meu nome árabe que significa feliciade)
Hospedada na casa da querida Hiba, Sousse, Tunisia.
Quer saber mais de mim twitter @carolmbernardes
Anúncios

4 comentários em “Tunísia: famílias, recepções e caronas

    carolbernardes respondido:
    20 de fevereiro de 2016 às 11:00

    Sem chance, Marcelo. Valeu pelas dicas! Sigo tentando viajar do meu jeito. Como não faço passeios turísticos e não uso muito dinheiro, escapo fácil. E sendo mulher, tem outras maneiras de não ser vulnerável, além de ter um homem (pq as vezes o homem é o problema… hahaha)

    Curtir

    marcelogama disse:
    20 de fevereiro de 2016 às 10:43

    Oi Carol, eu nao tenho contatos no Egito porque essa viagem foi há muuuuito tempo. É uma experiencia inesquecível com toda certeza mas, principalmente sendo mulher, nao vá sozinha!! Também é necessário manter os olhos bem abertos o tempo inteirinho, quem trata com turista está sempre querendo passar a perna nos precos. O mais seguro é fazer uma viagem por excursao (coisa que eu nunca faco) pra ter alguma seguranca.

    Curtir

    carolbernardes respondido:
    20 de fevereiro de 2016 às 10:26

    Oi Marcelo, que legal! Como foi sua experiência no Egito? Estou pensando em ir pra lá depois. Tem contatos lá? se tiver manda pra mim no carolmbernardes@gmail.com

    Pra vir para Tunísia não precisa de visto. Aqui o pessoal é muito receptivo. Mega recomendo!

    Curtir

    marcelogama disse:
    20 de fevereiro de 2016 às 5:40

    No orte da África eu só conheco o Egito mas morro de vontade de conhecer Tunísia, Marrocos e Argelia!!

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s