Um muçulmano diferente

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Hoje conheci pessoalmente um muçulmano diferente. Após um mês aqui, já consigo dizer o que me parece ”padrão” e o que é ”diferente”. Ele estava me ajudando em uma loja, porque meu carregador parou de funcionar. Fui puxando papo, disse que precisava de wifi, porque a maioria dos cafés por perto era só para homens. Deslizei nessa hora e cometi uma gafe, dizendo que isso era ”injusto”. Eu tinha acabado de julgar. Ele me pegou no pulo e disse para eu ter cuidado com as palavras.

Argumentei que não era desrespeito, mas que me sentia incomodada passando na porta dos cafés, que em alguns lugares tinha gente dos dois lados da rua, com homens me olhando. Apesar de ter um monte de lugar com wifi, só havia um longe dali onde poderia ir. Me lembram muito os botecos de esquina no Brasil, cheio de homens. A vantagem aqui é não tem álcool, mas eles são 10 vezes mais que os botecos no Brasil.

Recuperei a conversa e continuamos conversando. Ele foi todo prestativo, me emprestou o wifi e pude até fazer uma ligação por skype. Aí, depois de muito conversar com o Hassif, ele perguntou meu nome (eu tinha perguntado o dele no começo da conversa). Disse que me chamava Carol e estendi a mão.
– Eu não toco em mulheres. Ele me disse.
Eu não soube o que responder. Fiquei calada uns segundos, me segurando. Aí, perguntei, se podia saber o motivo. Ele me explicou que é religioso e por isso é proibido de tocar em uma mulher fora da família, mas que só 10% das pessoas hoje em dia fazem isso na Tunísia. Disse que se sente um estrageiro em seu próprio país, pois as pessoas não seguem mais as tradições.

Passamos a próxima hora conversando sobre religião, espiritualidade. Eu sei muito pouco sobre a religião muçulmana e em inglês, ele não sentia as palavras fluirem para me explicar bem. Me disse que eu vou gostar e que devia para começar a ler a respeito. Perguntei se ele tinha algum livro pra me indicar. Ficou de pensar, vou passar lá durante a semana para pegar a indicação.

Apesar dele não tocar em mim, ele me ajudou, foi simpático, me ensinou sobre sua religião. No final, quando me despedi com ”Salaam Aleikum” (que a paz esteja convosco), ele riu e disse ”Alaikum As-Salaam”. Fui embora.

Confesso, que meu lado feminista estranha um homem não querer pegar na minha mão. Ao mesmo tempo, que adorei ele conversar comigo de igual pra igual. Ainda estou com uma pulga atrás da orelha, pois ele não faria isso com um homem, poderia ser visto como desfeita.

O bom de viajar e conhecer outras culturas, é encontrar essa interseção. Esse espaço comum onde não existe nenhuma verdade pra todos, mas independente disso, todos se respeitam.

Por hora, fico com a tarefa de casa de estudar o tema. Se você tiver artigos e indicações sobre isso, comentem aqui.

Inverno em Chebba.
Carol

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2 comentários em “Um muçulmano diferente

    carolbernardes respondido:
    29 de fevereiro de 2016 às 7:50

    Continuo confusa, babãe! Te amo!

    Curtir

    tidemaia disse:
    28 de fevereiro de 2016 às 22:41

    Caca, adorei esse texto , mas tive dificuldade de entender
    Alguns trechos.
    Te amo
    Babae

    Enviado do meu iPhone

    >

    Curtido por 1 pessoa

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