Projetos Sociais

Em que você acredita?

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Abrimos a Open Oca, residência criativa, e estamos em busca de pessoas que acreditam em si. O grande desafio de não ter chefe, nem ter contas para pagar. Chegar em Celle di San Vito e poder trabalhar em paz no seu próprio sonho.

Criar um ambiente propício para as pessoas trabalharem é um desafio, planejar uma rotina agradável, oferecer momentos coletivos e prazerosos nas refeições, assim como ter práticas de yoga, meditação e momentos para que o grupo interaja, conhecendo outros projetos e mostrando o seu. Enquanto idealizamos isso, apareceu uma questão: o tempo!

Retirada da internet, não encontrei a fonte.
Retirada da internet, não encontrei a fonte.

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Quando surgiu a disponibilidade da casa, eu pensei que dois meses era pouco tempo para alguém parar e investir em si mesmo, mas como a possibilidade da casa é por esse tempo, topei para não perder a oportunidade. A minha grande surpresa tem sido me deparar com pessoas que acham um mês muito tempo. Dois meses uma eternidade. Se posso trabalhar onze meses no projeto da empresa, porque vou trabalhar menos no meu próprio sonho?

No ano passado fiz o Vipássana, lá entendi porque eles exigiam ficar os dez dias, que na verdade eram onze dias e dez noites. Para encontrar a tranquilidade da prática meditativa é necessário uns dias, foi criado todo um processo para meditar. Desde criar uma rotina com horários, acostumar o corpo, conhecer o ambiente. Mesmo num lugar em que mantínhamos o silêncio para nos ajudar a acalmar a própria mente, ela continuava a mil.

A residência creativa é um lugar diferente, não tem regras estritas como um retiro de meditação. Um lugar no qual não haverá orientação do caminho, pois são sonhos diferentes, buscas diversas. De qualquer maneira, é preciso tempo. Por isso é importante que cada um tenha objetivos claros quando chega vem pra residência, para não ficar perdido, saber o que está investindo e qual o retorno que espera.

Existe um tempo para a chegada do residente, para ele conhecer a cidade, as pessoas que estão na casa, se acostumar com o tempo, vento, frio, e as vezes o sol. O corpo irá aos poucos se acalmar, para enfim poder olhar para si mesmo, conectar com o próprio projeto e trabalhar.

Fico pensando qual o tempo necessário para alguém conseguir fechar um ciclo ou abri-lo? Não sei. O tempo é um mistério quando falamos de sonhos, podemos terminar um livro em alguns meses, anos ou nunca de fato terminá-lo. Será culpa do tempo? Diante de vários dilemas da modernidade, do ciclo vicioso entre trabalho, casa e diversão, que tempo dedicamos aos nossos projetos?

Em fevereiro me emprestaram uma casa na Tunísia onde eu pude sentar e escrever, fiz dela minha residência criativa. Prometi para mim mesma que só sairia de lá quando terminasse de escrever o livro, assim fiz. O livro não ficou pronto naquelas três semanas, mas organizei tudo o que já tinha escrito, escrevi todos os capítulos e fiz duas revisões. Ainda estou em dúvida de muitas coisas, até mesmo tem hora que penso, será que publico mesmo?

As duvidas e inseguranças surgem naturalmente quando trabalhamos em um projeto próprio, não existe chefe e nem somos obrigados a publicar naquele deadline. Não depende de ninguém aprovar ou reprovar, só de nós mesmos. Aí está a questão por trás da residência criativa- Eu acredito em mim? Esse projeto é bom?

Essas perguntas não se respondem com palavras, mas com ações. Se eu acredito em mim, porque não vou abrir a Open Oca e me dedicar. Se eu acredito no projeto, então preciso divulgar e ver se ele realmente funciona, colocar em prática. Bate uma insegurança? Claro. Porém, a única forma de criar projetos é arriscando, parando tudo (inclusive a volta ao mundo) e dedicando toda minha energia e meus recursos. É preciso apostar. Essa é a minha aposta!

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Qual é a sua aposta?

Vir para uma residência é acreditar em si mesmo, apostar no próprio potencial e dar uma chance pro seu projeto. Para isso é necessário investir o principal recurso, o próprio tempo. Dizer não para os outros trabalhos, projetos, família e amigos (por um período!). Sem investimento, nenhum projeto sai do lugar.

A Open Oca diz para o residente: eu te contrato por dois meses para você trabalhar no seu próprio projeto, te damos casa, comida e você colabora, se e como quiser. A sua única função aqui é trabalhar no que deseja e acredita. Estamos aqui para ajudar em tudo o que pudermos, mas a condição é – você precisa acreditar em si mesmo e no seu projeto. Precisa dar tempo para ele, provavelmente seu livro vai precisar de mais tempo que duas semanas, assim como seu plano de negócio pode demorar mais um pouco para sair. A única forma desses projetos serem realizados é através da dedicação.

Estamos aqui esperando os residentes de braços abertos. Acreditamos que todos podem investir seu próprio tempo e construir uma linda história com as próprias habilidades e nossa ajuda. Convidamos sonhadores, artistas e empreendedores a darem um passo, fazer sua inscrição e se preparar para trabalhar no próprio projeto. Acreditamos em você e queremos saber: no que você acredita?

Escrito com amor,
Carol
Num dia ensolarado em Celle de San Vito, Itália

Economia colaborativa depende de amor e confiança

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Em 2008 eu comecei a ouvir falar da economia colaborativa. Em São Paulo estava rolando muita coisa, já existia o The Hub (espaço de coworking), o Vakinha tinha surgido (crowdfunding),o Hub Escola (crowdlearning), microcrédito, compras coletivas,e gente querendo fazer ecovilas, negócios sociais… pessoas procurando soluções e vez de problemas. Os amigos de SP viviam inventando coisas e foi por isso que me mudei pra lá em 2010, acho que essa é a característica mais forte de SP, inventar e reinventar a roda,

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As minhas primeiras impressões dessa economia estava vinculada a internet e a escala dos negócios. Claro, em pouco tempo tudo mudou. O trabalho em projetos sociais e, especificamente, na periferia esbanjou pra mim a tal da economia colaborativa.

Bingo, feijoada, rifa, feiras de trocas, carona, vaquinhas, casa coletivas, festas tradicionais…. tudo isso acontecia na para as pessoas se ajudarem. A diferença, é que na periferia era tão comum que não saiu na capa do jornal!

Depois viajando pelo Brasil pude percerber a importância dos vizinhos, a ajuda dos amigos, como faz diferença ter um quintal pra plantar horta, trocar ferramentas, pegar emprestado. A vida fica muito mais fácil quando tinha uma comunidade a minha volta.

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O meu processo individual começou quando decidi que não queria só dividir contas na república que morava, queria construir um lar coletivo. Um processo que na prática foi difícil, mas a minha primeira experiência de morar com pessoas significativas foi importantíssima. Agradeço mutio a Mai e a Yana, elas me ensinaram muito sobre viver em comunidade.

De lá pra cá já vivi muitas experiências, nenhuma delas se compara ao presente que recebi na última semana. Enfim, histórias que quem viveu uma economia colaborativa e tem memórias.

Fizemos uma atividade sobre economia colaborativa, o que acontece ou aconteceu no Cumbe. Escolhi algumas questões para exemplificar, sem contudo falar sobre todo o encontro que não caberia no post.

Foto: Casa Maré das Artes
Foto: Casa Maré das Artes

Enterro coletivo. Não existe coveiro, a própria população cuida do enterro, velório e faz todo o ritual. Mutirões de limpeza, por ser uma região de enchentes, toda a limpeza das ”levadas” era feita em mutirão dos moradores. Construição casa de taipa. As casas antigas eram construídas coletivamente pelas pessoas da comunidade. Cuidados com as crianças e os idosos. As pessoas participavam desse cuidado. Distribuição de peixe nos dias santos. Quem ajuda a pescar ganha\ganhava uma parte da pescaria. Festas santas eram feitas juntas e muitos outros aspectos.

Vieram tanto fatos juntos que faltou tempo para examiná os benefícios sociais e econômicos de todos. Pudemos perceber que a comunidade vive uma lacuna entre um processo cooperativo familiar entre as 150 famílias e a divisão comunitária que o desenvolvimento das fazendas de camarão e a energia eólica promoveu. Um exemplo é: a comunidade deixou de cuidar das crianças em conjunto, mas ainda não tem creche.

A Associação dos Moradores do Cumbe está trabalhando a identidade local o João é um grande contador dessas histórias coletivas. Ali, as crianças e os adultos ainda vivem os benefícios de uma economia colaborativa, ao mesmo tempo que vivem as consequências do ”progresso” que aumenta os custos de vida, polui o rio, seca lagoas e privatiza a circulação de pessoas. Nem todos os moradores podem ir a praia, só os nativos e os donos das terras.

Eu aprendi tanto naquele encontro sobre economia colaborativa e comunitária. No final, propus pensar em como manter algumas ações ou criar novas para fortalecer essa relação comunitária. A experiêmcia vivenciando uma semana na Casa Maré das Artes me mostrou essa vida de trocas funciona pra quem não viaja. Os vizinhos convidam pra jantar, tem trocas de mudas para horta, as crianças ajudando a cuidar ao mesmo tempo, as crianças são cuidadas!

Claramente a lacuna está presente! E por mais que a Associação e a Casa façam a parte deles, uma economia se constói com outros atores. Falta o governo e as intituições privadas definirem o que vão fazer. Uma região rica não combina com uma comunidade pobre.

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Faz 3 anos que economia colaborativa orienta a minha vida. As trocas acontecem todos os dias, pela internet, telefone, ao vivo, nos projeto em que trabalho, nas visitas aos amigos. O grande aprendizado dessas viagens foi descobrir que não precisa de internet nem de projetos grandes com escala para a economia colaborativa dar certo.

É mais fácil pedir pros amigos do que captar via crodwfunding , e muitas vezes é mais eficiente. As plataformas algumas vezes se tornam mais um intermediário. Quando limitamos a economia colaborativa a esses grandes projetos, estamos burocratizando a ajuda ao próximo e deixando de pedir pro vizinho a furadeira, por vergonha, pois isso está associado a perder valor na sociedade. A recompensa do amigo é muito mais óbvia do que as ”recompensas” dos sites.

Pra viver essa economia, eu decobri que tenho mais a oferecer do que preciso. Preciso de muito pouco, cada vez mais de menos. Então, ofereço trocas em qualquer lugar que vou, penso em como ser útil e ajudar o outro. Resolvo meus problemas através de desconhecidos e amigos,muitas vezes as trocas são imateriais. No final, isso não importa, porque a relação de amizade está mais forte.

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A economia colaborativa sempre funcionou e funcionará em sistemas comunitários, onde existe amor e confiança. Pode ser numa relação estantânea na estrada pedindo carona ou assinando um contrato na frente de um advogado. Só pode ser bom pra mim, se é bom pro outro e vice-versa, A lacuna existe, está entre a vantagem do mais forte e a desvantagem do mais fraco. Precisamos confiar para seguir adiante.

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Esse post é parte do financiamente coletivo das viagens. Essa semana a amiga Nicky me convidou para ficar na sua casa em Cumbuco em troca de sorrisos e amor. Uma troca imaterial que só as amizades proporcionam. 🙂 

As imagens foram encontradas na internet.

Casa Maré das Artes: Volta Cine Cumbe!

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Mês passado recebi um email da Luiza me contando que estavam fazendo uma campanha#VoltaCineCumbe. Lendo o email descobri que ela tinha se mudado para Aracati, antiga capital do Ceará e vive em um coletivo no Cumbe, chamado Casa Maré das Artes.

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Combinamos deu vir pra cá visita-lá, participar das atividades da casa e colaborar propondo atividades.

Desde segunda-feira estou aqui, super feliz de encontrar um projeto tão lindo em uma comunidade quilombola a beira do Rio Jaguaribe.

A casa funciona como um centro cultural e residência do coletivo. As crianças da comunidade já se apropriaram do espaço, entram e saem, brincam, contam histórias e ajudam a cuidar do lugar. O mais lindo daqui é ver essa convivência das crianças empoderadas pelo projeto ajudarem na horta, cuidar da midioteca, lavar o que usa e manter a casa organizada. Os moradores dizem que dei sorte, cheguei de surpresa no dia certo, tudo funcionando. 🙂 não acredito nisso, da pra perceber que a relação do coletivo e a comunidade está sendo construída a muito tempo.

O coletivo é formado pela Luiza, Mari, Ton, Tiana, João, o Marujo (cachorro) e a Doyda ( A Gata). Eles querem mais! O sonhos deles são: aumentar as atividades, fazer mais filmes (eles já fizeram um documentário sobre o Cumbe), a residência artística receber mais gente, aumentar a apropriação da comunidade, entre muitos outros. O trabalho não para! A vida na pacata comunidade do Cumbe está recheada de sonhos e realizações dentro da casa Maré das Artes, na vida das crianças e comunidade.
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E um detalhe, a casa faz tudo isso, tendo duas moradoras: a Mari e a Luiza! As gatas são potentes!

Eu estou me sentindo realizada participando por uns dias de um projeto tão lindo! 🙂

A semana cheia de atividades, na terça fizemos um encontro do coletivo sobre os sonhos individuais e coletivos, ontem rolou contação de histórias pras crianças e hoje teremos um encontro sobre economia criativa.

Vale contar, que eles tem um trabalho de resistência aqui, querem preservar o território e os direitos da comunidade de ir e vir, utilizar a água e terem acesso aos serviços básicos. O coletivo faz parte da Associação Quilombola do Cumbe e fortalece a cultura local através das atividades na casa.

Se interessou? Cola aqui no projeto!
Ajude o CineCumbe voltar pelo link: https://www.vakinha.com.br/vaquinha/voltacinecumbe

Se souberem de algum projetor parado, querendo ser utilizado e espalhar cultura pelo mundo, entre em contato comigo ou com eles.

Pagina do facebook: https://www.facebook.com/maredasartes

P.S.: todos os post são escritos pelo celular. Tenham paciência e se verem erros de gramática, links e referências, enviem para carolmbernardes@gmail.com