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A Casa dos Sonhos está virando realidade

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Já faz alguns anos decidi a minha aposentadoria seria criar uma residência artística, quando chegasse a maturidade, uns 30 anos… ou quando voltasse da viagem que nunca chega ao fim, como vocês deve ter percebido. Como a maturidade não está a caminho e a viagem está longe do fim… o acaso faz a vez.

A residência, que nem vai ser só artística decidiu aparecer antes. Em novembro conheci o Matteo pessoalmente, quando cheguei em Odermira. Já fazia uns dois anos que nos conheciamos virtualmente. Acabei ficando 10 dias na mesma comunidade que ele e foi uma experiência muito interessante rodeada de pessoas especiais. Foi lá que contei para o Matteo meu sonho de criar uma residência artística, a famosa casa dos sonhos.

Há um mês o Matteo me escreveu quando eu estava na Tunisia me dizendo que tinha a casa e me convidando para um grupo secreto no facebook chamado Comunidade La Rocca.

Fizemos um skype e ele me contou a história da casa, disse que estava disponível para projetos como a residência artística. Meus olhos brilharam. Eu estava em Gabes, terminamos o skype lá pelas 10 da noite, eu precisava dormir para viajar no dia seguinte até Matmata e Douz, de forma alguma consegui. A Ahlem já tinha pegado no sono e eu queria conversar sobre o assunto e não tinha ninguém ali. Fui pegar no sono lá pelas 3 da madrugada, nem assim parei de pensar na casa, agora voltava a sonhá-la.

Durante essa viagem, escrevi o projeto, enviei pro Palmas que me ajudou a colocar em palavras e com alguma ordem o que eu pensava que seria essa casa. Por fim, enviei o projeto pro Matteo.

Nessa altura, o Matteo tinha vários receios de como a casa funcionaria, como eu faria com o idioma e os desafios da captação de recurso. Mas depois de mais um skype, ele disse que era insegurança dele. E eu com toda minha confiança no mundo, segurei a minha. É preciso ser irracional nessas horas.

O detalhe da história era um só, eu não sabia como a casa estava por dentro. Por fora, parece um castelo, no alto de uma montanha com uma bela vista, por dentro era um desafio. O Matteo falava de pintar, conseguir móveis e eu não tinha a menor ideia se o lugar era ideal para a tal casa dos sonhos.

Confiei. Apesar de não sabermos, acreditei que valia a pena adiar minha ida pro Egito e voltar a Itália pela 4a vez para conhecer o Castelo, antigo mosteiro.

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De Tunis para Celle di San Vito

Dia 23 de abril embarco de Tunis para Palermo e começo a pegar caronas da Sicila até a Puglia, só paguei o 2,50 do barco para zruzar para o continente da ilha. Depois de umas 20 caronas e mais de 800km chego a Celle de San Vito às 8 horas da noite.  Por pura generosidade, o Don Michele, tio do Matteo, viaja os 30km entre Lucera e Celle para me receber e abrir casa. Achou incaeitável eu acampar. Nem ele nem eu sabia quando ia chega, nem por onde eu iria passar. Como estava muito frio, nevou nas montanhas perto e a sensação térmica de Celle devia beirar 0 grau, ele apareceu lá em menos de uma hora e me levou para comer uma deliciosa pizza na Fontanella, a maravilhosa pizzaria do vilarejo, com lareira e muita gente simpática. =) e dormi na casa. Nos dias seguintes a recepção continuou e fizemos vários passeio e pude conhecer a Maria, a sindica do paese (o que deve ser como o prefeito de um distrito no Brasil)

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Enfim, visito a casa, e percebo que com limpeza, organização e umas pituras, será uma perfeita residência artística/empreendedora para quem quiser sair do mundo virtual e curtir um tempo na montanha em um ”paese” simpático onde se fala franco-provensal. A população residente são 130 anciãos e no verão deve aumentar um pouco, no inverno, dizem que diminui bastante com o frio.

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Depois dessa primeira parte da história, tomei a decisão internamente de fazer a casa acontecer, comecei a pensar em como e nas minhas possibilidades e escolhia. Mas ali, estava sem internet e isolada do mundo, pelo menos nesses primeiros dias.

Minhas limitações eram:

  • Posso ficar na Europa por 3 meses – ou seja preciso sair até 24/07
  • A casa está disponível até 20 de julho quando começa a chegar a família Tangi e começam as reuniões de família.

O lado positivo

  • Com limpeza e organização a casa já fica muito legal
  • Tem muita mobilia, cozinha e até máquina de lavar (que ninguém sabe se está funcionando)
  • Tem vários equipamentos como data show, projetor e uma biblioteca.

Conclui que dava para fazer a casa com os recursos disponíveis, entre eles, todos os meus euros, que afinal, foram doações para meus projetos. Esse é um deles, isso de cara me livrou da captação de recursos e vai tornar a casa acessível (não é um orçamento nada exorbitante).

Decidi entrar com o dinheiro da comida para os residentes e convidá-los a contribuir com a energia, que seriam 30€ (valor de uma diária em um hostel normal). Assim podemos deixar a casa funcionando. E quem não gostar da minha comida ou do cardápio vegetariano da casa, poderá utilizar a cozinha e fazer a seu gosto ou comer na Fantonella. Eu farei meu melhor, o que da um certo medinho, pegar a cozinha para mim. Acredito que vai aparecer mais gente para ajudar no quesito gastronomia: joguei pro universo!

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Entre as minhas mil buscas de host com internet e tempo para eu trabalhar, demorei 6 dias para chegar a Milão, lugar que desde ontem estou sendo maravilhosamente hospedada pela Elisa e com tempo pra trabalhar no projeto (inclusive escrever esse post), responder as pessoas e dormir. Um luxo! (Porque depois de  5 noites em 4 lugares diferente – 2 casas e 2 terminais – dormir em uma cama de casal, tomar um banho quentinho e desfrutar de uma boa pasta conversando com a Ellisa, é um sonho!) enfim, com calma agora, desfrutando da Itália enquanto trabalho.

Nesse 5 dias, que eu fiquei zanzando de um lugar a outro da Itália, conheci Bari, Veneza e Bologna e vim para Milão ontem para ficar os próximos 4 dias (nem quero fazer a conta da quilometragem… foi cansativo). Apesar de estar querendo sossego, foi Ganhei um presente enorme, a Pitty!

eu e a pitty
Pipa, agosto de 2015, Eu, amigo da Cintia, Cintia e a Pitty. =)

A Pitty é uma amiga recente, a conheci em Agosto na casa da Cintia quando estava em Pipa e acabamos nos tornando ”socias” no PRS – Programa Realização de Sonhos. Ela saiu da agência que trabalhava e se interessou em vir pra Itália. Conversamos quando eu estava trabalhando no blog da Open Oca e ela disse que queria vir. Fizemos um skype e no dia seguinte além de comprar a passagem para Itália e vir passar 3 semanas aqui, ela já estava a toda trabalhando no site – que já ficou profissional openoca.org

Enfim, uma delícia ter minha sócia amada embarcando nessa viagem comigo! O site foi feito com muito amor, já está é biligue (inglês e português) e o italiano está a caminho.

Na semana que vem volto a Celle com a missão de ir organizando a casa para os residentes chegarem, a abertura é dia 20/05 no meu aniversário! Uma felicidade só completar 28 anos realizando um sonho.

Em breve, vou contando mais do meu mundo aqui, em vez de ficar dando voltas, as pessoas que iram dar voltas no Castelo (apelido do antigo mosteiro) e vou ficar paradinha nos próximos meses até dia 20 de julho.

Se interessou pela casa? Quer ajudar? Conhece algum artista/empreendedor?

Site: www.openoca.org
Grupo no facebook: http://bit.Querly/Openoca_grupoFBTelegram: https://telegram.me/openoca
Para quem quiser saber mais do programa de residência: https://openoca.org/program/

Com ❤ e muita =),
Carol

Milão, casa da Elisa

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Sonhos e inseguranças: tudo junto em um só livro

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YYYYYYYYEEEEEEYYYYYYYY Terminei, terminei!

Depois de passar as últimas duas semanas sentada de frente para o computador (fotinha pra ilustrar a cena), mesmo estando a somente um quarteirão da praia, o livro vai tomando forma. Eu terminei de escrever, o que o Tales, do Ninho de Escritores, chamou de primeira escrita. Independente do nome que ele deu, eu me sinto feliz. EU TERMINEI!!!! =)

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Não preciso nem dizer que a foto não tem edição, né?
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Sente o drama da cor do mar. Chebba ❤

A minha maior felicidade em terminar essa parte do livro é o fato deu ter me expressado, me libertado das minhas inseguranças. Falado de tudo que queria ter escutado alguns anos atrás, quando comecei minha jornada. O livro, ainda está longe de estar pronto, eu mesma, ainda vou escrever e reescrever as histórias, mas a insegurança foi embora. Venci o meu desafio pessoal, o de escrever. Agora vem o meu próposito, embrulhar minhas histórias e deixá-las gosotas para as leitoras se empoderarem dos seus sonhos, fazerem suas próprias viagens, escreverem seus próprios livros.

Então, se você leu esse parágrafo, sinta-se compatartilhando uma grande felicidade minha.

Me sinto muito grata com o presente que o Elyes e família me deram, cedendo a casa deles pra mim. Sozinha, diante do computador e com pouquíssima internet, aqui estou. Tem hora, que nem tão feliz, chorei e ri escrevendo, com as histórias que mais me marcaram nas viagens pelo Brasil e Nuestramerica (nome que eu e o Oscar a damos América Latina).

Sobre o livro mesmo, não sei muito. Nunca escrevi um livro, agora começo a revisar. Cortar, limpar, corrigir. Tem várias pessoas lendo também, me ajudando nessa tarefa. Mais do que lendo, me motivaram a escrever e levar em frente o trabalho.  O que seria de mim sem essa rede de maravilhosa? Gau, obrigada, aquele seu email, me fez voltar a escrever!

Sobre os próximos passos, estou pedindo ajuda. Ainda não sei se vai aparecer voluntárias. Talvez uma editora profissional, alguma ilustradora para fazer a capa e alguém pra diagramar. Se você se identificou, me escreve carolmbernardes@gmail.com
Vou adorar!!!

Se aparecerem, o livro sairá ainda melhor, se não, sairá assim mesmo, com a ajuda de todos que tiveram tempo e puderam contribuir. Vou trabalhar para sair no meu aniversário, 20 de maio. Dar uma festa virtual!

O plano inicial é fazer um e-book gratuito, mas o Ale deu a ideia de também fazer uma micropublicação. Tipo 20 livros, só pra quem deseja tê-lo em papel mesmo. Estou pensando, porque daqui da Tunísia, é difícil distribuir. Aí, pensei, talvez apareça alguém voluntário também, né?! Não custa desejar. =)

Afinal, é um projeto coletivo! (eu ri escrevendo isso e vendo a minha própria cara-de-pau aqui)

Tão feliz, tão feliz, que só posso dizer, obrigada! Tanta gente faz parte desse livro, que os agradecimentos será um outro livro….  (gargalhadas!)

Gostou de alguma idéia, deseja o livro, comenta aqui! =)

Fico em Chebba mais uns dias!
Com amor, muito amor!
Carol

P.S. se está curiosa pra saber o nome do livro, te aviso, eu também estou. Ainda não tem nome!

Dois anos sem saber o que fazer, dois anos fazendo tudo o que queria

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Hoje é aniversário da minha loucura. Já estou andando e falando sobre não saber o futuro. Dois anos é o momento que se começa a pensar. Como posso pensar não saber o que farei amanhã, ou na semana que vem. São mais de 700 dias assim. Sem saber.

É bom não saber. Evita a preguiça. Eu já sei que vou morrer (todos sabemos) até lá posso fazer o que quiser. Mas não saber o que farei amanhã, torna meu dia mais interessante. E levantar se torna uma tarefa fácil, mesmo a cama sendo um dos meus lugares preferidos no mundo.

Essa bagunça toda talvez seja por causa dos Novos Baianos e do Mistério do Planeta. Estou ainda tentando descobrir, mas já aprendi muitas coisas, mesmo sem saber o que fazer, fiz coisas incríveis nesse tempo. Muitas delas, nunca pensei ter coragem. Pensava que iria magoar muita gente. Que outros poderiam deixar de gostar de mim. Nada disso aconteceu. O amor não é racional, por sorte!

Mistério do Planeta

Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do “stop”
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do Brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola

O mundo não faz sentido. Eu dou sentido a vida, vivendo o que quero e depois de dois anos sem saber o que fazer, faço coisas que gosto. Descobri que assim como o amor, a vida não é racional. Por sorte!

Esse tempo pode ser pra sempre e pode acabar amanhã. Posso criar uma rotina, obedecer a ela rigorosamente e passar a planejar meus dias, ter metas viajando e criar contas a pagar. Estou a um passo dos dois extremos. Independente disso, tenho o dia de hoje. Por hoje, vou na cachoeira e amanhã, vou levantar de novo sem saber o que fazer. Mas isso não importa.

E valeu a pena, quer saber porque? Passei a fazer o que eu queria. Queria coisas simples, mas precisava fazer o que falava ou pensava. Esse foi o passo mais importante na minha vida. Então, seguem aqui as coisas que eram meus sonhos, minhas vontades e que demorei 24 anos para colocá-las em pratica:

  1. Fiz o curso de fotografia que há anos dizia que queria fazer – e foi incrível!
  2. Fiquei um mês morando de couchsurfing em Buenos Aires e fiz amizades lindas.
  3. Morei em um casa coletiva.
  4. Morei na praia.
  5. Passei a fazer yoga e meditar quase todos os dias.
  6. Vivi e viajei sem dinheiro. Mudei minha relação com ele e percebi que é só um detalhe dos meus sonhos, nunca um obstáculo intransponível.
  7. Peguei carona com caminhoneiros, carros, motos, barcos, navios, bicicletas e caminhei em lugares que quis.
  8. Conheci todas as regiões do Brasil (ainda falta alguns estados), mas conheço meu país melhor e minha gente. Me conheço melhor por cada pessoa que conversei.
  9. Fiz inúmeras práticas espirituais e encontrei meu caminho no Budismo.
  10. Conheci e viajei por 9 países na América do Sul.
  11. Cruzei o deserto do Atacama.
  12. Dormi vendo a estrelas no meio da natureza.
  13. Fiquei uma semana em um veleiro.
  14. Fiz e nutri muita amizades
  15. Cortei meu cabelo, raspei a metade e depois ele todo. Descobri que fazer isso não muda nada, mas querer fazer e não fazer, matem muita coisa.
  16. Subi o Monte Roraima e escalei nos Andes.
  17. Amei algumas pessoas, fiz celibato e tive muitas dúvidas sobre me relacionar ou não.
  18. Desapeguei das coisas mais caras financeiramente que tinha. E cuidei das pessoas mais queridas que tenhas.
  19. Fiz minha primeira intervenção sobre sonhos nas rua de Buenos Aires e desde então carrego meu caderno mais bonito, cheio de sonhos na minha mochila.
  20. Por último, vale lembrar que fiquei doente, peguei viroses e dei trabalho pros amigos, família e desconhecidos. Não morri fazendo todas as coisas que amo. É possível viver e sobreviver.

Essa lista, eu fiz pra mim, para me lembrar do que fiz sem pensar no que os outros vão pensar. Nesse caminho eu me conheci. Em nenhum dos dias que não sabia o que iria fazer, pensei no que estava fazendo. Eu simplesmente fiz.

Foi aí que descobri que o amor é incondicional (e não é racional!), não adianta eu fazer um milhão de coisas que meus pais não gostam, não importa. Eles só querem que eu seja feliz. Isso me faz amá-los ainda mais. O que não me livra das piadinhas infames!!!!

Deixo aqui meu amor incondicional aos meus amigos Cadu, Gui Augusto, Gui Carvalho e Clarissa. Do dia que sai de casa até hoje, vocês nunca deixaram de me acompanhar em cada passo que dei e tornaram o mundo um lugar melhor para mim. Diante da infinidade do espaço e do tempo, sou uma pessoa feliz por tê-los no meu caminho.