Vida

Viajante tem família

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Viajante tem família e eles vão longe atrás de mim.

Essa noite dormi entre meu pai e minha mãe. Quando perguntaram quem é que estava ali, respondi: é a Cacazita. Cena antiga e cotidiana há 20 anos atrás. Muita coisa mudou nesse tempo, eles mudaram, eu mudei, mas o principal ficou: é bom dormir com eles. 🙂

Tenho vários amigos que perderam o pai, a mãe ou a família seguiu um rumo diferente. Eu dei muita sorte de tê-los assim, casados e amorosos entre eles, comigo e meus irmãos. Eles também dormiram bem sabendo que estava ali, protegida. Sem dormir no meio do mato, nem em alguma praia ou na casa de alguma nov@ amig@.

O Marinho também veio, o hotel designou uma cama de casal pra gente dormir. Ficamos juntos todas as noites, antes de ficar de filha única. 🙂 Fiquei feliz de poder importuná-lo como só uma irmã pode fazer. Novamente não consegui me igualar a sua genialidade. Me esforcei, quem sabe na próxima eu coloque um ser em decomposição na sua mala.

Eu segui um caminho muito diferente da minha família. Somos únicos, temos opiniões distintas sobre política, educação, modelo de família, estilo de vida e quase todas as outras preferências possíveis. Mesmo assim, se nos darmos conta, quem nos vê de fora percebe um semelhança. As piadas só tem graça porque discordamos e podemos expressar isso. Rimos de nós. Somos livres e escolhemos como queremos viver, cada escolha tem a sua consequência, mas nenhuma delas exclui ter uma família e um bom relacionamento.

Faltou a Naná nessa viagem, apesar dela não ter vindo, comprou todas as passagens e esteve presente nas nossas conversas. Sentimos sua ausência, porque com ela a viagem tem mais emoção, conflitos (piada interna). 🙂

Estou mais feliz hoje por estar com eles. Escolhemos estar juntos, manter o contato e alimentar nosso amor. Esses dias foram preciosos, me mostraram que mesmo tendo todos os meus defeitos, nossas diferenças e mesmo a distancia, não importa. Serei sempre a Cacazita, iremos sempre sacanear uns aos outros e assim, por mais estranho que pareça, estaremos sempre juntos.

Amo eles. Só me tornei que em sou por causa deles. Talvez por reagir e questionar, em vez de seguir seus conselhos. Foi o amor incondicional da família a minha libertação da sociedade. Além de descobrir o mais importante: meus valores são bem parecidos com o deles. Mesmo que minha vida seja tão estranha.

Escrito de Natal enquanto desfruto ter internet, energia elétrica e não ter nenhuma obrigação.
Com <3,
Carol

Beijo, mãe!

#luxonaviagem #paitrocinio

P.S.: claro que eles não concordam com meu estilo de vida.

P.S.2: Não mando beijos pros outros porque não acompanham meu blog.

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Dois anos sem saber o que fazer, dois anos fazendo tudo o que queria

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Hoje é aniversário da minha loucura. Já estou andando e falando sobre não saber o futuro. Dois anos é o momento que se começa a pensar. Como posso pensar não saber o que farei amanhã, ou na semana que vem. São mais de 700 dias assim. Sem saber.

É bom não saber. Evita a preguiça. Eu já sei que vou morrer (todos sabemos) até lá posso fazer o que quiser. Mas não saber o que farei amanhã, torna meu dia mais interessante. E levantar se torna uma tarefa fácil, mesmo a cama sendo um dos meus lugares preferidos no mundo.

Essa bagunça toda talvez seja por causa dos Novos Baianos e do Mistério do Planeta. Estou ainda tentando descobrir, mas já aprendi muitas coisas, mesmo sem saber o que fazer, fiz coisas incríveis nesse tempo. Muitas delas, nunca pensei ter coragem. Pensava que iria magoar muita gente. Que outros poderiam deixar de gostar de mim. Nada disso aconteceu. O amor não é racional, por sorte!

Mistério do Planeta

Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do “stop”
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do Brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola

O mundo não faz sentido. Eu dou sentido a vida, vivendo o que quero e depois de dois anos sem saber o que fazer, faço coisas que gosto. Descobri que assim como o amor, a vida não é racional. Por sorte!

Esse tempo pode ser pra sempre e pode acabar amanhã. Posso criar uma rotina, obedecer a ela rigorosamente e passar a planejar meus dias, ter metas viajando e criar contas a pagar. Estou a um passo dos dois extremos. Independente disso, tenho o dia de hoje. Por hoje, vou na cachoeira e amanhã, vou levantar de novo sem saber o que fazer. Mas isso não importa.

E valeu a pena, quer saber porque? Passei a fazer o que eu queria. Queria coisas simples, mas precisava fazer o que falava ou pensava. Esse foi o passo mais importante na minha vida. Então, seguem aqui as coisas que eram meus sonhos, minhas vontades e que demorei 24 anos para colocá-las em pratica:

  1. Fiz o curso de fotografia que há anos dizia que queria fazer – e foi incrível!
  2. Fiquei um mês morando de couchsurfing em Buenos Aires e fiz amizades lindas.
  3. Morei em um casa coletiva.
  4. Morei na praia.
  5. Passei a fazer yoga e meditar quase todos os dias.
  6. Vivi e viajei sem dinheiro. Mudei minha relação com ele e percebi que é só um detalhe dos meus sonhos, nunca um obstáculo intransponível.
  7. Peguei carona com caminhoneiros, carros, motos, barcos, navios, bicicletas e caminhei em lugares que quis.
  8. Conheci todas as regiões do Brasil (ainda falta alguns estados), mas conheço meu país melhor e minha gente. Me conheço melhor por cada pessoa que conversei.
  9. Fiz inúmeras práticas espirituais e encontrei meu caminho no Budismo.
  10. Conheci e viajei por 9 países na América do Sul.
  11. Cruzei o deserto do Atacama.
  12. Dormi vendo a estrelas no meio da natureza.
  13. Fiquei uma semana em um veleiro.
  14. Fiz e nutri muita amizades
  15. Cortei meu cabelo, raspei a metade e depois ele todo. Descobri que fazer isso não muda nada, mas querer fazer e não fazer, matem muita coisa.
  16. Subi o Monte Roraima e escalei nos Andes.
  17. Amei algumas pessoas, fiz celibato e tive muitas dúvidas sobre me relacionar ou não.
  18. Desapeguei das coisas mais caras financeiramente que tinha. E cuidei das pessoas mais queridas que tenhas.
  19. Fiz minha primeira intervenção sobre sonhos nas rua de Buenos Aires e desde então carrego meu caderno mais bonito, cheio de sonhos na minha mochila.
  20. Por último, vale lembrar que fiquei doente, peguei viroses e dei trabalho pros amigos, família e desconhecidos. Não morri fazendo todas as coisas que amo. É possível viver e sobreviver.

Essa lista, eu fiz pra mim, para me lembrar do que fiz sem pensar no que os outros vão pensar. Nesse caminho eu me conheci. Em nenhum dos dias que não sabia o que iria fazer, pensei no que estava fazendo. Eu simplesmente fiz.

Foi aí que descobri que o amor é incondicional (e não é racional!), não adianta eu fazer um milhão de coisas que meus pais não gostam, não importa. Eles só querem que eu seja feliz. Isso me faz amá-los ainda mais. O que não me livra das piadinhas infames!!!!

Deixo aqui meu amor incondicional aos meus amigos Cadu, Gui Augusto, Gui Carvalho e Clarissa. Do dia que sai de casa até hoje, vocês nunca deixaram de me acompanhar em cada passo que dei e tornaram o mundo um lugar melhor para mim. Diante da infinidade do espaço e do tempo, sou uma pessoa feliz por tê-los no meu caminho.